Coimbra,
12 de Junho 1400
Meu
querido amado Pedro,
Espero
que te encontres bem de saúde e sem ferimentos da batalha, onde tão gloriosamente
combates.
Por
cá, os teus filhos também estão muito bem, mas tristes pela tua ausência. Tenho-me
dedicado ao máximo que posso a eles, para se sentirem a tua falta, mas não tem
sido fácil. Sabes que gosto muito do nosso lar e adoro-os ao ponto de fazer
tudo por eles. Todavia, a minha vida tornou-se uma tragedia, desde que partiste
porque o teu querido pai, nosso rei, ainda não aceitou a nossa união, não me
aceitou a mim, nem ao facto de eu ser castelhana. Se cá estivesses, tudo seria
diferente. Ele respeitar-me-ia e não ordenaria nada tão cruel como a minha
morte. Já tentei lutar de todas as formas mas percebi que o povo é quem mais
força faz para o fim. Reuni-me com o teu querido pai e com os seus conselheiros
e apelei à sua sensibilidade pelos nossos três filhinhos, pedi para que me
desterrassem para a Líbia ou para a Sibéria ou até que me largassem na selva
junto dos animais selvagens.
No
entanto, de nada valeu. A independência de Portugal é superior a todo o meu, o
nosso sofrimento. Espero que consigas perdoar tanta maldade, porque eu não consegui.
Cuida
bem dos nossos filhos e diz-lhes como eu os amo. Apesar de todo o sofrimento,
fui muito feliz ao teu lado.
Amar-te-ei eternamente.
Inês
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